A produção de quando os deuses andavam na terra brasilis

06/02/2026

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Vilões da cultura ou mediadores essenciais? Meu odiado crítico, mostra como Ezequiel Neves, Sérgio Cabral, Júlio Medaglia e Zuza Homem de Mello transformaram a crítica musical brasileira em parte viva da história cultural.   

Organizado pelo jornalista e escritor Miguel de Almeida, o livro reúne traços biográficos e uma seleção de textos que atravessam décadas — resenhas e crônicas que vão de Elizeth Cardoso, Ella Fitzgerald, Tom Jobim e Noel Rosa a Caetano Veloso, Novos Baianos, Rolling Stones, Bob Dylan, Martinho da Vila, Pixinguinha, Luiz Melodia, Tim Maia e tantos outros — mostrando como a crítica musical se tornou parte fundamental da nossa identidade cultural.  

Uma história da música contada pela crítica 

Passando pelo humor único de Zeca Neves e sua visão irreverente da ascensão do rock; por Júlio Medaglia, que transita entre a formação erudita, o futebol e a música popular brasileira em meio à ditadura; pelo rigor afetivo de Sérgio Cabral e sua devoção ao samba; e por Zuza Homem de Mello, cuja escuta técnica e generosa ajudou a fixar o jazz e a revelar artistas, o livro expõe não apenas as singularidades desses quatro autores, mas também sua presença nos pontos de virada da música brasileira.  

Ao costurar críticas e crônicas de diferentes décadas, Meu odiado crítico compõe uma discoteca comentada que atravessa do samba urbano carioca ao jazz norte-americano, da bossa nova ao rock progressivo — revelando parcerias (Vinicius e Baden Powell, João Gilberto e Gil), linhagens (de Donga e Pixinguinha a Paulinho da Viola) e diálogos que vão de Cartola a Miles Davis, de Nara Leão a Frank Zappa. 

Caetano Veloso – Transa (1972), Elizeth Cardoso – Canção do amor demais (1958), Martinho da Vila (1969) e Ella Fitzgerald –
Lullabies of Birdland (1955): discos e artistas citados em Meu odiado crítico

A crítica como gesto cultural   

Longe de serem figuras distantes ou meramente avaliativas, Ezequiel Neves, Sérgio Cabral, Júlio Medaglia e Zuza Homem de Mello escreveram a partir da escuta atenta, do convívio com artistas e do engajamento com as transformações culturais de seu tempo — incluindo a censura e as disputas estéticas durante a ditadura militar. Seus textos ajudaram a formar públicos, pautar debates e influenciar a maneira como a produção musical brasileira foi compreendida ao longo das décadas.  

:: trecho do livro 

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