Cell, de Nach Van Van Dance Company

14/07/2025

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Cell

Nach Van Van Dance Company
França
Clássificação indicativa 12+

45 min

@polesudstrasbourg

25 de setembro, 21h
Quinta
Teatro Castro Mendes
Ingressos à venda

Sinopse
Em seu primeiro solo, a artista francesa Nach oferece um testemunho livre e pessoal sobre o krump, estilo de dança que percorre toda a sua trajetória. Ramo do hip-hop, o krump surgiu no início dos anos 2000 como resposta à repressão policial e às tensões raciais nos bairros periféricos de Los Angeles. Os movimentos em cena estão enraizados nos fundamentos do estilo (com suas paradas bruscas e solavancos característicos), mas vão além. Entrelaçam-se com outros universos e poéticas, abrindo-se a formas mais amplas de expressão. Pouco a pouco, revelam uma multiplicidade de personagens — um caleidoscópio de imagens e sensações que vão da delicadeza à violência. Tudo isso se desdobra em um jogo de luz e sombra, com projeções e clarões que surgem e se dissipam pelas paredes. Ao romper as amarras da linguagem e do conceito, Nach apresenta um corpo multifacetado, repleto de possibilidades, e cria um manifesto contra o confinamento.

Biografia Resumida
Nach (nome artístico da francesa Anne-Marie Van) é uma artista coreográfica vinda do universo do krump. Ela questiona sua identidade como dançarina e como mulher, transcendendo classificações, e redefine sua linguagem por meio de encontros com experiências estéticas — butoh, teatro Noh, teatro de bonecos e dança clássica —, além de investigações íntimas e políticas.

Créditos
Coreografia, dança, texto e imagens: Nach
Cenografia e luz: Emmanuel Tussore
Sonoplastia: Vincent Hoppe
Construção do cenário: Boris Munger e Jean-Alain Van
Gestão de produção: Chloé Schmidt
Agradecimento: Marcel Bozonnet
Produção: Nach Van Van Dance Company
Coprodução: Espace 1789, Scène conventionnée danse de Saint-Ouen; Maison Daniel Féry – Nanterre; CDCN Atelier de Paris; Théâtre de Fresnes
Com o apoio de: La Maison des Métallos – Paris; La Scène nationale de Saint-Nazaire; le CN D – Pantin; le CCN de Roubaix; le CCN de La Rochelle / Cie Accrorap – Direção artística: Kader Attou

Entrevista

Como o krump influencia seu trabalho e quais outros universos guiam sua criação?
Descobri a riqueza do krump (um acrônimo para Kingdom Radically Uplifted Mighty Praise), e senti que, mesmo antes de ele nascer, já havia outros movimentos buscando narrar a existência de formas poderosas — surgindo das margens, de lugares tornados invisíveis pelas sociedades supremacistas dominantes. Espaços de brilho. Foi assim que me deixei mover por expressões como o flamenco, certas formas de teatro de rua, a arte do palhaço, o butoh. As artes da palavra — aquelas que se manifestam com urgência e eloquência a todo custo. O rap, a pregação gospel, a poesia, a reinvenção de sistemas e formas. Tenho profundo interesse pelas formas criativas que emergem das culturas negras.

Em Cellule, você transforma o corpo em um território de luz e sombra, desejo e violência. Como foi traduzir essas forças internas para sua própria linguagem?
Tudo começou de forma muito espontânea. Cellule é meu primeiro solo. Minha primeira peça escrita. Eu não tinha metodologia, nenhuma consciência sobre escrita coreográfica. O que eu tinha era fome. Na época, não conhecia nada do mundo da dança contemporânea e sua engrenagem. Não tinha formação acadêmica em dança — fui treinada nas ruas. Então, precisei confiar em mim mesma. Avaliei o que realmente queria compartilhar com os outros. O que havia de mais sólido em mim? Minha experiência. Minha compreensão de que me confino a uma cela — cheia de dúvidas — tentando me encaixar em moldes, me tornar uma identidade específica, quando, na verdade, sou uma multidão. Incendiando códigos e modelos que não me servem. Minha célula orgânica — minha dança —, também múltipla, me ajuda a me libertar. Isso desencadeou um complexo processo de desprendimento que me permitiu me encontrar, pela primeira vez, sem concessões — nua, frágil e inteira. Hoje, estou me voltando para o estudo da escrita e das partituras na dança, no teatro e na música. Na origem desse estudo está a necessidade de (re)escrever nossas histórias deslocadas — para não esquecer e para transformar nossas heranças. Não quero estar presa a nada. Tento viver o presente da forma mais honesta possível. Flutuo com o tempo, com as eras. A forma como a peça está escrita permite isso. Porque, no fim, minha identidade e minhas visões estão em constante evolução — e, felizmente, assim será.

Como você vê o papel da dança na sociedade atual e o que ela pode mobilizar ou revelar sobre nosso tempo?
Hoje — e já há muito tempo — a dança nos permite conectar com os outros, conosco mesmos e com o invisível que nos rodeia. Para mim, tornou-se uma forma de criar novos rituais aos quais nunca tive acesso — tendo nascido nos subúrbios de Paris e desenraizada de uma terra, de uma cultura cabo-verdiana, senegalesa e vietnamita que conheço tão pouco. É uma maneira de abraçar o fim do mundo e o declínio de nossa humanidade. A dança nos convida a viver nas frestas de um mundo caótico. Ela nos permite criar novas visões, novos corpos encarnados, novos mundos. A dança cura e restaura.

Foto: Danielle Virin

Cell

Nach Van Van Dance Company
France
Ages 12+

45 min

@polesudstrasbourg

September 25, 9 PM
Thursday
Teatro Castro Mendes
Tickets on sale

Synopsis
In her first solo piece, French artist Nach delivers a free and personal testimony to krump, the dance style that runs through her entire career. A branch of hip-hop, krump emerged in the early 2000s in response to police repression and racial tensions in the peripheral neighborhoods of Los Angeles. The movements on stage are rooted in the foundations of the style (with its typical sharp stops and jolts), but they go beyond it. They are interwoven with other universes and poetics, opening up to broader forms of expression. Little by little, they reveal a multitude of characters—a kaleidoscope of images and sensations ranging from delicacy to violence. All of this unfolds in a play of light and shadow, with lights and projections appearing and fading across the walls. By breaking free from the constraints of language and concept, Nach presents a multifaceted body, full of possibilities, and creates a manifesto against confinement.

Short
Bio Nach (stage name of French artist Anne-Marie Van) is a choreographic artist who comes from the world of krump. She questions her identity as a dancer and as a woman, moving beyond classifications, and redefines her language through encounters with aesthetic experiences—butoh, Noh theatre, puppetry, and classical dance—as well as through intimate and political inquiries.

Credits
Choreography, dance, text, and images: Nach Set and lighting design: Emmanuel Tussore Sound: Vincent Hoppe Set construction: Boris Munger and Jean-Alain Van Production management: Chloé Schmidt Acknowledgment: Marcel Bozonnet Production: Nach Van Van Dance Company Coproduction: Espace 1789, Scène conventionnée danse de Saint-Ouen; Maison Daniel Féry – Nanterre; CDCN Atelier de Paris; Théâtre de Fresnes With the support of: La Maison des Métallos – Paris; La Scène nationale de Saint-Nazaire; le CN D – Pantin; le CCN de Roubaix; le CCN de La Rochelle / Cie Accrorap – Artistic direction: Kader Attou

Interview

How does krump influence your work, and what other universes guide your creation?
I discovered the richness of krump (an acronym for Kingdom Radically Uplifted Mighty Praise), and it felt as though, even before it was born, there were already other movements seeking to narrate existence in powerful ways—emerging from the margins, from places made invisible by dominant supremacist societies. Spaces of brilliance. That’s how I let myself be moved by expressions like flamenco, certain forms of street theatre, clowning, butoh. The arts of the word—those that manifest with urgency and eloquence at all costs. Rap, gospel preaching, poetry, the reinvention of systems, of forms. I’m deeply interested in the creative forms that emerge from Black cultures.

In Cellule, you transform the body into a territory of light and shadow, desire and violence. What was it like to translate these internal forces into your own language?
Everything began very spontaneously. Cellule is my first solo. My first written piece. I had no methodology, no awareness of choreographic writing. What I had was hunger. At the time, I knew nothing about the world of contemporary dance and its machinery. I had no academic training in dance—I was trained on the streets. So I had to trust myself. I took stock of what I really wanted to share with others. What was most solid in me? My experience. My understanding that I confine myself to a prison cell—filled with doubt—trying to fit into molds, to become one specific identity, when in fact, I am a multitude. Setting fire to codes and models that don’t serve me. My organic cell—my dance—also multiple, helps me break free. It triggered a complex shedding process that allowed me to find myself, for the first time, without compromise—naked, fragile, and whole. Today, I’m moving toward the study of writing and scores in dance, theater, and music. At the origin of this study lies the need to (re)write our displaced stories—to not forget, and to transform our inheritances. I don’t want to be tied to anything. I try to live the present as honestly as possible. I float with time, with the eras. The way the piece is written allows for that. Because in the end, my identity and my visions are constantly evolving—and thankfully so.

How do you see the role of dance in today’s society, and what can it mobilize or reveal about our times?
Today—and for a long time now—dance allows us to connect with others, with ourselves, and with the invisible that surrounds us. For me, it became a way to create new rituals I never had access to—being born in the suburbs of Paris and displaced from a land, from a Cape Verdean, Senegalese, and Vietnamese culture I know so little about. It is a way of embracing the end of the world and the decline of our humanity. Dance invites us to live within the cracks of a chaotic world. It allows us to create new visions, new embodied bodies, new worlds. Dance heals and restores.

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